BlogTorrão de Arganil: a história do resgate que marcou o nosso ano
O Torrão chegou ao Abrigo do Simba magro, doente e quase sem vida. Esta é a história de como, devagar, voltou a sorrir.
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Há olhares que não se esquecem. O do Torrão, no dia em que o conhecemos, era um olhar vazio. Não pedia nada, não esperava nada. Estava ali, mas era como se já não estivesse.
Se nos perguntarem qual foi a história que mais nos marcou este ano, a resposta é fácil: foi a dele.
As celas de Arganil
O Torrão estava no Canil Municipal / CROA de Arganil. Os cães eram mantidos em calabouços, celas de isolamento com um espaço miserável.

Em agosto, o Abrigo do Simba retirou de lá cinco cães. O Torrão era um deles. Três gatos ficaram em Arganil.

Não é fácil descrever o que se sente ao entrar num lugar assim. Fica-nos no peito, e não sai. Mas mais importante do que o que sentimos foi o que decidimos fazer: trazê-los connosco.
Quase tarde demais
De todos, o Torrão era quem estava pior. Chegou extremamente magro, catatónico, anémico. Tinha febre da carraça, leishmaniose em nível elevado e sarna.

Um corpo tão frágil a carregar tanta doença ao mesmo tempo.
Não vale a pena suavizar: se tivesse ficado mais alguns dias onde estava, provavelmente não teria sobrevivido. Esta frase pesa-nos. Pensamos nela muitas vezes. Por tão pouco, o Torrão não teve outra história, uma história que ninguém chegaria a contar.
Devagar, de volta à vida
Quando um animal chega assim, não há tempo a perder. Seguiram-se as idas ao veterinário, as análises, os tratamentos e a medicação.


E, entre uma coisa e outra, aquilo que nenhum medicamento substitui: tempo, paciência e carinho.
A recuperação não foi rápida. Fez-se passo a passo, dia após dia, entre consultas, novas análises e a esperança de que as notícias seguintes fossem melhores do que as anteriores. E, aos poucos, foram.
Hoje, o Torrão está livre das doenças que o teriam matado. Ainda precisa de ganhar um pouco de peso, e para isso conta com a ajuda de fígado de vaca, mas já pesa quase 11 kg.
E há uma coisa que vale mais do que qualquer número: o Torrão já sorri.
Aquele olhar vazio deu lugar a outro. Já fez o seu primeiro passeio. Para um cão que conheceu apenas uma cela, sentir o chão, os cheiros e o ar livre é um mundo novo. Agora, anda por aí a apreciar a sua liberdade.
Os companheiros de viagem
O Torrão não veio sozinho, e os outros quatro cães que vieram com ele também merecem um final feliz.

Alguns precisavam de ser esterilizados; o Amendoim já foi castrado no veterinário.
A Anita, uma das cadelas de Arganil, já encontrou o seu final feliz: foi adotada e tem agora a sua família. Ficamos de coração cheio sempre que um dos nossos encontra o seu lar.
Uma conquista de todos
Um resgate destes não se faz sozinho. Os tratamentos, as consultas e as análises de cinco cães têm custos que nenhuma associação consegue suportar sem ajuda. Este mérito é de todo o Abrigo do Simba e de cada pessoa que esteve connosco:
- de quem partilhou e deu voz a estes animais;
- dos doadores, que tornaram possíveis os tratamentos;
- de quem participou na rifa que angariou dinheiro para o tratamento dos cinco cães;
- dos voluntários;
- da nossa direção, presidente e vice-presidente, e de toda a equipa.
Um agradecimento especial também à Maria Chaveiro e à Carla Lima, que estiveram no terreno, à Mafalda Alvoeiro, que organizou a rifa, à Célia, que levou o Torrão ao seu primeiro passeio, e à Joana, que abriu a sua casa à Anita. A todos: obrigado. Esta história também é vossa.
Porque é que contamos esta história
Contamos a história do Torrão porque ela mostra aquilo que somos. Como já escrevemos: "este Torrão é um entre muitos que salvamos em dois anos". Por cada Torrão que se torna conhecido, há muitos outros que chegam até nós em silêncio, a precisar do mesmo cuidado.
Ver um cão que chegou catatónico voltar a sorrir é a razão pela qual fazemos isto todos os dias.
Devolvemos-lhes a vida, o espírito, a alegria de viver e de serem amados.
Como pode ajudar
Se a história do Torrão lhe tocou, há várias formas de fazer parte da próxima:
- Adotar. Temos animais à espera de uma família. Saiba mais na secção de adoção ou fale connosco pelo WhatsApp.
- Apoiar. Donativos, voluntariado e famílias de acolhimento fazem toda a diferença. Veja como apoiar.
- Partilhar. Contar estas histórias ajuda a que cheguem a quem pode fazer a diferença.
Porque desistir nunca será uma opção enquanto houver um animal a precisar de nós.



